Mas não é Programa DO Governo. Do
Governo, propriamente, será lá com ele e não tenho nada com isso. Estou a
pensar é num programa para ARRANJAR Govern, no sentido em que o espectáculo de
uma composição empírica de ministeriáveis que a AD em estado a dar é própria de
subdesenvolvidos.
Programa, estou eu a pensar numa
coisa escrita em ALGOL, FORTRAN, BASIC, PL1 ou coisa dessas, computacional, tecnológica,
gestionária, euromercádica, moderna. Desculpem-me, isto hoje é um bocado árido,
mais coisa para informáticos e gente assim.
Para crises futuras a AD deveria
começar por estabelecer uma «Flow-chart», declarar o formato, introduzir os potenciais
ministeriáveis na memória do computador (em símbolos, não em pessoa, que até
nem caberiam, mas na AD há com certeza programadores que sabem muito bem como é
que isso se faz).
Depois sairia qualquer coisa com
este aspecto, ou parecido:
70 DEF GOVAD (A + B + C)
(quer dizer: Defina Governo AD como soma de A(CDS), B(PSD), e C(PPM)
15 2.5A + 3.28 + 0.5C = X (GOV)
(o Governo AD de tamanho X será constituído nas proporções de 2.5 CDS,
3.2 PSD etc.)
20 READ 170
(leia os ministeriáveis na linha 170; os secretários de Estado contam
como 0.5 de ministro)
25 GOTO 15
(ensaie nomes na proporção indicada, processo aleatório, use a
imaginação!)
30 IF X (GOV) = AFA THEN GOTO 60
(se sair um Governo que não agrade a Freitas do Amaral, execute a linha
60)
35IF X (GOV) AFA THEN... etc. etc.
Por aqui adiante uma coisa neste
género que até nem cabe aqui e que os programadores fazem com grande
satisfação, proficiência e geral agrado. É para isso que lhes pagam, e não a
mim. Só estou a dar a ideia. Repare-se que o «loop» entre as linhas 15 e 60 se
faz em milésimas de segundo num computador, ao passo que se for com métodos
artesanais, isto é, intermináveis idas e vindas entre o Largo do Caldas e a Rua
de Buenos Aires, cumprimentos, cínicas palmadinhas nas costas, paleio,
declarações manhosas à imprensa e à TV, são tardes inteiras, (além da despesa).
Um terminal directo em Belém até
permitiria a consulta Presidencial com resposta em «tempo real». Por aqui se vê
como a aplicação da tecnologia moderna poupa tempo, permitindo até meter mais
crises dentro do mesmo prazo. A AD, que preza tanto a produtividade, não pode
ficar insensível a este argumento.
O Problema verdadeiro não é este,
no entanto: o problema é que, se o «debugging» de um programa destes é fácil, o
«debuging» da própria AD, esse, é praticamente impossível.

