sábado, 4 de outubro de 1980

Este mundo é feito de pequenos nadas (1)

Há alguns anos — já tantos! como o tempo passa... fui convidado por uma ilustre Senhora, casada com um conhecido general e académico, para ilustrar um livro curiosíssimo. O livro nunca chegou a ser feito, mas a ideia era atraente e ainda é atraente. Tratava-se de fazer o equivalente a um manual de etiqueta fora do campo que os manuais de etiqueta usualmente abrangem; tratava-se das pequeníssimas situações do momento a momento, aquelas situações de todos os dias em que não se repara quase, mas que vão formando um estado de espírito. Pequenos nadas. Para exemplo, e sem ir mais longe: três pessoas encontram-se na rua e ficam a conversar ocupando um passeio estreito na esquina — estão no seu direito, mais do que evidente! Mas há uma sensibilidade que se tem ou não se tem, que foi ou não adquirida, que as deverá impelir a não forçar os outros a sair do passeio, que obrigará a dar o jeito, deixar passar, acomodar, facilitar a vida aos outros como um reflexo. É mesmo um reflexo, ou uma segunda natureza, para quem tem essa sensibilidade. Não é coisa que se ensine, através de regras. É coisa que se tem, na maneira de ser; é aquele imponderável fluido lubrificador da vida colectiva, misto de humor e boas maneiras que torna tolerável a vida em altas densidades populacionais — um conjunto de pequenos nadas.
 
Ora eu, que não estou em condições de manusear ou expor as grandes ideias que agitam e revolvem a vida intelectual contemporânea; eu, que perante os titans do intelecto não me sinto já como quando era novo, isto é, ansioso e ambicioso, mas já só espectador interessado; eu cá, fico por um nível mais modesto — observo.
 
Observo os pequenos nadas que à minha roda vão dando forma visível às transformações da sociedade e do Mundo; observo, como guloso coleccionador do epifenómeno, cultor do efémero, limitado apreciador do aspecto.
E faço a minha própria análise política contemporânea, baseado nas grandes ideias, mas noutro campo menos denso e imponente: o dos modos de andar por aí e de dizer coisas, e no intrigante problema da camisa de seda natural, entre outros.
 
Repare-se: o deslocamento político que deu a preponderância à direita conservadora nas eleições de Dezembro tem feito correr rios de tinta, explicando-o sabiamente em termos de economia e estratégia internacional, de psicologia das massas, de teoria da História, de técnica maquiavélica, etc. São formidáveis análises, e acho-as cheias de razão, todas, mesmo quando são contraditórias — eu cá, nisso, sou benévolo e eclético. Mas a todas escapam os fundamentais problemas da gravata, do Mercedes-Benz cinzento-metalizado, da distância respeitosa, e da velocidade do Jeep.
Nos dias — acentuo dias — 26, 27 e 28 de Abril de 1974, este País viveu numa euforia causada por determinado acontecimento político que favoreceu imediatamente a floricultura dos cravos e a disponibilidade de espaço nas prisões políticas; acontecimento que, de resto, viria a ter muitas outras e muito mais fundas consequências.
Mas naqueles dias, teve um efeito imediato, maravilhoso e inesquecível, à superfície: as boas maneiras generalizaram-se — mais ainda, foram totais. Uma amolgadela num automóvel era resolvida entre sorrisos, uma pisadela ocasional dava um abraço festivo entre estranhos, a falta de um troco ainda que avultado dava um imediato «deixe lá, paga depois», entre desconhecidos; uma universal bonomia resplandecia nas faces das pessoas. (A minha ideia é a de que as pessoas, além de gratas por outras coisas, estavam sobretudo muito aliviadas por não ter havido os massacres e violências de há muito esperados como inevitáveis nesta ocasião esperada... mas isso é só uma opinião superficial).
Mas foram três dias, quatro no máximo. Cinco, vá lá, mas já duvidosamente.
A essa geral euforia, sucedeu-se uma euforia menos geral. Para muitas pessoas, essa euforia acabou muito depressa, porque começaram a surgir inevitáveis dificuldades. Não vou exactamente relembrar essas dificuldades bem conhecidas, dramáticas, inevitáveis e necessárias, cá e em África.
O que me lembro é de que, nos dois ou três anos imediatamente subsequentes se espalhou um modo de estar e de falar que revelava uma vontade de diminuir diferenças sociais e económicas aparentes; uma necessidade de esconder, atenuar ou tornar menos patente o estado de privilégio — o que deu resultados bem caricatos: — o senhor Director-Geral deixou de usar o fato escuro com colete para ir a despacho com o senhor Secretário de Estado, até porque provavelmente este o receberia de paletó sport. De onde resulta que o chefe de repartição se sentiu obrigado a usar «blue-jeans» novinhos em folha, porque os funcionários passaram a andar com os «blue-jeans» usadinhos do fim-de-semana e botas «à MRPP». (Esta das botas à MRPP deveria também ser explicada, mas os leitores lembram-se do estilo...) O mesmo sucedia nos Bancos, nas Companhias... A Rua do Ouro ao meio-dia, à saída para o almoço, era um imenso mar de azul de ganga.
Isto não era economia vestimentar, nem nada — atenção, nada disso! Era a «farda» simbólica, negadora de qualquer estado de privilégio, iminentemente mal visto. Era também uma curiosa e picante experiência de «encanaillement» socialmente aceitável e colectivo; a gracinha de se sentir vestido «à Operário» por quem não viu nunca um operário de perto, e os imagina como nos quadros de revista do Parque Mayer, ou vestidos de «blue-jeans» à «cow-boy».
A própria Televisão foi marcando a evolução política ulterior — pôde medir-se a transformação do clima político pós-revolucionário pela progressão do traje dos locutores: camisa vulgar desgargalada (Abril-Maio 1974); blusão «jean»; camisola sport; camisola com colarinho «polo»; casaco sport e camisola sem gravata (1º Governo constitucional); casaco de veludo «à artista»; «blazer» azul e «foulard» (4.° Governo constitucional); casaco de sport com gravata; casaco assertoado.
 
 
Nenhuma necessidade de inquéritos à opinião pública: ver o Telejornal ou o Boletim Meteorológico (ver! não ouvir...) permitiria conhecer exactamente o resultado das eleições. A vitória da AD foi claramente prenunciada pelo uso do jaquetão escuro com «regimental tie» aparecido em 1978 no 1° canal.
A partir daí, os dias da esquerda no poder estavam contados, mas os analistas políticos são demasiadamente inteligentes para o entender.
Porque o verdadeiro, o profundo sentido da vitória das direitas conservadoras está na reconquista do pequeno privilégio e não das grandes vantagens, como erradamente pensam os historiadores contemporâneos. Conhecem demasiadas teorias, e isso pode não ser bom. Isto, leitores, é um pouco como os pescadores do Algarve ou de Peniche — sabem pouco de batimétricas, correntes conveccionais ascendentes, diferenciais de salinidade, gradientes de temperatura, etc; olham para o mar, veem onde ele riça, veem cair o mascato, e sabem onde está o peixe. A estes verdadeiros, ignorantes e eficazes praticantes da semiologia mais requintada, o mais ténue indício, o vestígio mais fugaz não permitem encontrar uma teoria, mas permitem encontrar peixe — e entre peixe e teoria, eles preferem o peixe.
 
Ora também na nossa vida social existem grupos socioprofissionais que desenvolveram um sentido particularmente apurado da «temperatura» do corpo social; desenvolveram-no mais por estarem naquela franja indecisa em que a autoridade ou o poder de agir directamente sobre um grande número dos seus semelhantes, se tempera com a forte probabilidade de serem agidos por um número restrito de superiores.
Estou a pensar no que ia chamar classicamente «a laboriosa classe dos...», mas pensando melhor usarei a expressão mais justa «a prestimosa classe dos...», que é igualmente dignificante mas mais exacta: os guardas de polícia sem graduação, os contínuos, os porteiros de grandes edifícios. Os hábitos vindos de outras épocas permitiam uma clara diferenciação das atitudes — numa sociedade em que todos sabiam claramente o seu lugar e o manifestavam inequivocamente pelo seu exterior, era tudo muito mais fácil para estes cidadãos-funcionários, mesmo porque havia uma certa correspondência entre o aspecto e o comportamento.
Se um cavalheiro de aspecto irrepreensível, cabelo grisalho nas têmporas, unia indefinível aura de autoridade, resolvia entrar, passar, permanecer nalgum lado, ou interpelar, obter, fazer ou não fazer alguma coisa que não fosse precisamente o que estava superiormente estabelecido (e neste «superiormente estabelecido» há todo um mundo de significados importantes...) o citado funcionário-cidadão tinha uma natural atitude de tolerância e até de reverência à priori. Em caso de reticência, a imortal expressão «Você sabe com quem é que está a falar?» dita com ênfase, resolvia a questão — ele sabia logo com que é que estava a falar e nem queria saber mais, em suma, sabia o que lhe bastava: sabia que estava a falar com alguém através de quem lhe poderia vir, perdoe-se-me o plebeismo, «uma porrada». (Esta é a situação que nas comédias italianas cabe naturalmente a Vittorio Gassmann e a Alberto Sordi, e que entre nós António Silva fazia tão bem...).
Mas perante o mesmo cavalheiro, na mesma situação, vestido com um blusão coçado e uns Levis, as reticências tornavam-se mais justificadas. A interpelação «Você sabe com quem é que está a falar'?» deixava então uma real dúvida sobre quem é que estava a falar. O agente da autoridade militarizada, cívica, empresarial ou condominial ficava à rasca porque a «porrada» poderia vir, de facto, mas de onde menos era esperada: saneamento se fosse um dirigente sindical esquerdista exaltado; despedimento se fosse um director recém-nomeado a fazer figura, diante de amigos: despromoção se fosse um capitão à paisana e de mau humor.
A democratização do vestuário acompanhou-se da despolarização da «porrada» vinda clara e hierarquicamente de cima; a sua probabilidade passou a ser múltipla e pluridireccional, o que dá mais uma pista interessante para a análise sociológica e behaviourista dos anos de 1974 até, digamos, 1977.
Este estado de coisas era manifestamente intolerável para a direita conservadora. Para esta é essencial que a «porrada» seja administrada unidireccionalmente, a partir de cima, repartindo-se em arborescência até aos estratos mais baixos. Esta topologia do «Direito a administrar uma «porrada», segundo o qual, em cada nível da hierarquia social e doméstica, de cada ponto se pode dar uma «porrada» apenas nos elementos dos subconjuntos definidos em ordem descendente a partir daquele ponto, foi admiravelmente retratado num conto militar de André Brun, conto que não foi entendido no seu tempo como paradigma da sociedade portuguesa. Deve sê-lo agora.
 
Mas o leitor arguto terá reparado em que me referi ao direito a dar uma «porrada». Esta precisão é importante pois o ser «um Direito» e não «uma Obrigação» é que distinguiu a nossa organização social durante meio século — essa distinção designou-se, por sinédoque, a «Brandura dos nossos Costumes», e torna escorregadia qualquer definição do fascismo doméstico.
Não fosse ela, e corresponderia à organização social dos regimes conservadores da Europa de Leste ou da América do Sul. A estável ordem em arborescência daquele direito foi severamente abalada em 1974, com o aparecimento daquelas operações cujo nome tem uma forte reminiscência a obras de hidráulica municipal - os «saneamentos».
Aí, aquele direito passou a ser mais do que direito; passou a ser a obrigação de cada um administra «porrada» para baixo, para cima e para os lados, isto é, a arborescência transformou-se num reticulado. Esta é uma estrutura estável também, desde que seja total, e isso é um bocado utópico.
 
O estado atual é que não é estável, pois que há uma parte da estrutura em arborescência, e outra em reticulado, o que me leva a tentar uma subtil e incisiva análise das dificuldades que assolam ao mesmo tempo a sociedade portuguesa e a maioria AD.
Nesta, jogam-se em grande parte no corte dos fatos de cheviote e nas gravatas de «soie sauvage». Aqui há que fazer uma certa introdução mais larga e trabalhada, pois tudo se radica no aparecimento do uso intensivo do pronto-a-vestir, na abundância de lojas de decoração com móveis «estilo design» em plástico, e na venda do Playboy nas tabacarias, em vez de ser por assinatura ou às escondidas como antes. E em mais coisas, mas estas são as fundamentais.
Em conjunto deram como resultado o aparecimento de uma cultura ou modo de vida, que um amigo meu, lacónico, designa cripticamente por «civilização Toyota», mas que é bem mais do que uma referência a determinada marca de veículos que pulula no mercado, ou nem sequer é isso: é uma designação puramente paradigmática, abstracta. Civilização Toyota. É perfeito. Em todo o caso, para evitar qualquer equívoco ou melindre, designá-la-ei por «civilização T» ou «estilo T».
Analise-se.
 
O impulso, ou pulsão, a reencontrar o privilégio, em grandes números, dá evidentemente resultados frouxos — o privilégio, por natureza, é para poucos. Sobretudo, o estado de privilégio não é absoluto; é algo de transitivo e relativo, tal como a sua versão hedonística chamada «ter as melhores coisas da vida».
Explico, usando um exemplo já clássico: — um fulano, a caminho de Cannes no último modelo de Porsche, levando ao lado uma miúda que apareceu nua na LUI, sente-se no tecto do Mundo, como tendo acedido às melhores coisas da vida, mas só até ao momento de ser ultrapassado por outro que vai para Juan-les-Pins com uma pequena que veio na PENTHOUSE, guiando um Dl Tommaso; este, por sua vez, sente-se no top até encontrar outro que vai num Maserati para Vence, com uma menina que veio na capa da VOGUE; por sua vez este sente-se na melhor até se cruzar com outro que já vem da sua propriedade de Vence, num Monteverdi, acompanhado por uma jovem senhora que até recusou insistentes pedidos para aparecer na capa da VOGUE, etc. etc. (Aqui, admito uma certa inveja pela minha parte, pois que neste sentido, o meu horizonte do possível se situaria em ir ao Algarve num Escort a precisar de pneus novos, às escondidas da minha mulher e com um pequena que tivesse aparecido, digamos, no máximo, no «Modas e Bordados» — o que, além de pouco exultante, sinto que corta irremediavelmente qualquer veleidade minha de entrar naquela progressão).
Mas entenda-se, é este o tipo de aumento de pressão na base da arborescência do privilégio que trama os verdadeiros conservadores.
É óbvio.
Quantos mais se vestirem na Lanalgo tantos mais são os que se veem empurrados para se vestir no Pestana & Brito; quantos mais se vestirem no P & B, mais são obrigados a vestirem-se chez Cardin; quantos mais se vestirem chez Cardin, mais são obrigados a vestir-se no HectorPowe, e esta progressão pode ser ruinosa para os conservadores.
Ora quem se der ao trabalho de ver o preço de um fato em Savile Row, perceberá rapidamente o problema político das indemnizações — o estado de privilégio é caríssimo, e a pressão da «civilização T» cheia de dinheiro fresco, não cessa de aumentar.
Quem se veste agora com um casaco escuro com botõezinhos dourados, não terá presente que está a usar a macaqueação internacional da macaqueação pela classe média inglesa do «reefer coat» que os Lords usavam para vir a terra sem ter de vestir as pomposas fardas usadas nos seus iates, aí por 1870; nem ao usar o seu fatinho «para melhor», se lembra de estar apenas a usar a «longue suit», espécie de traje à vontade que custou a impor-se e só à tarde, nos clubes e salões do East End.
 
Entre Knightsbridge e o Alto do Pina vai toda uma escala de manifestações exteriores do privilégio; um longo caminho passando por toda a Europa e Américas. Mas chega agora, como manifestação da «vontade de privilégio», a pessoas a quem ainda não assenta bem, que tem de puxar os punhos da camisa para fora repetidamente, como um tique, esticar as bandas do casaco demasiadamente bem passado, puxar as calças demasiadamente impecáveis ao sentar para não fazerem joelheiras; em suma, a pessoas que não estão à vontade dentro da armadura visível do privilégio. (Eça de Queiroz, numa «boutade» célebre, dizia que a civilização nos fica curta nas mangas. Penso que não. Tende a ficar comprida nas mangas e a fazer um vinco entre os ombros. Eça não conhecia o pronto-a-vestir.)
 
As casas da civilização T estão perfeitamente certas, perfeitamente de acordo. Os móveis e gadgets de formas modernaças e incómodas como o raio, inconcebíveis produtos abastardados do que foram iniciais esforços para apurar um «design» industrial, e hoje caíram no que os lojistas do ramo chamam «estilo design», tal como nos anos 50 chamavam «estilo amaricano» às imitações dos desenhos de Saarinen, Jacobsen, e Gio Ponti (lembram-se? tudo em forma de rins e com pezinhos cónicos), estão perfeitamente de acordo com os livros moldados com lombada a metro, o festival da canção da TV, a enciclopédia do Reader's, o jantar no casino do Estoril ao domingo, a revista do ACP.
E depois há o «Playboy»: a visão estimulante de um mundo desinibido, cosmopolita, reconfortante pela autoridade e «privilégio» que ressuma — mas acima de tudo, pelo privilégio acessível que inculca. (É por este último aspecto que eu, se fosse do CDS no poder, proibia o «Playboy», que agora até vem em brasileiro a 120 paus. Não pelas meninas nuas que não fazem mal nenhum, e as do «Playboy» até não excitam ninguém. Para voyeurs há outras publicações, essas sórdidas, mas absolutamente inócuas para os privilégios da direita conservadora).
O imenso florescimento da civilização T deixa os guardas de baixa graduação, os porteiros e os contínuos absolutamente perplexos.
É demasiadamente fácil agora fazer erros trágicos. Com a malta que não usa os aspectos exteriores do privilégio está tudo bem, voltou à mesma, e estão em terreno conhecido (e que não reparou já na evolução recente dos modos dos «cívicos» ao lidar com o cidadão cinzento?). Nesta base do grafo social, restabeleceu-se a arborescência — a «porrada» já vem só de cima, segundo o superiormente determinado. Mas nas faixas superiores?
De entre os potenciais distribuidores de «porrada» hierarquizada, como distinguir os verdadeiros falsos? Como, quando o Ministro e o 1° escriturário se vestem do mesmo modo a uma observação rápida, e usam «attaché-case» igual? Como distinguir a senhora embaixatriz ou a senhora Generala das respectivas cabeleiras, se se vestem da mesma boutique, e eventualmente com o mesmo modelo? Como, se dentro do espalhafatoso e do pechisbeque, esse modelo até vai provavelmente melhor à cabeleireira do que à Generala?
 
Tudo isto é grave, porque significa que, se um estrato importante da população já entrou nos eixos e sabe manter uma distância respeitosa (ou voltou a ser possível mantê-lo a essa distância), há uma matilha gigantesca de candidatos ao estado de privilégio — e pior do que isso, obtendo-o rapidamente: basta ver quanta gente da civilização T está hoje em lugares de mando na Banca, nas grandes empresas públicas, no Governo. (Cardumes inteiros podem ver-se, por exemplo, à noite em certos templos privilegiados da civilização T — o lmaviz, o Apolo 70, o foyer do Star, etc. e fontes autorizadas dizem-me que no Porto, a civilização T é pujante).