terça-feira, 23 de dezembro de 1980

A coluna indiscreta (vê tudo, conta tudo...)


Estivemos
Na inauguração chiquíssima da Tasca do Lopes (a decoração, um amor! Bravo, Zeca electricista!). Estava tudo quanto é «Gente». João e Micas Galdéria, inevitáveis, animadíssimos, chegados de Sacavém. Ela um pouco ah! Ah! mais magra, e «bronzée» do ar da estrada. Mas sempre no centro das atenções. A saia de napa de chez «A Brilhante de Campolide» ficava-lhe a matar.
O «Lontra Maluca» e o «Chaimite» conversaram animadamente toda a noite, à parte. Surpreendente. Uma reconciliação em vista à formação de um bloco de centro? Há quem diga, em alguns «mentideros» das bandas da Vila Ferro... Sempre olhados vigilantemente pelo «Guelras». A ortodoxia do Casal Ventoso. Férrea. A propósito «Guelras», para quando o tal golpe tão falado? Ou as ocupações sentimentais são mais importantes?
Carlinhos «Mão de seda» enigmático, sempre só, a um canto. Com que é que nos vai surpreender agora, cher Carlinhos? Há um peito arfante do outro lado da sala (e da rua...) à espera de ser surpreendido, não é? Nélinha «Costuras»...
 
Ouvimos
O presidente da Junta, que apareceu apenas por poucos momentos, tomou ginja e fez um improviso brilhante, de que só recolhi isto: «É à iniciativa privada que cabe cada vez mais o papel dinamizador do sector das tascas. O sector público tem a paragem de autocarros a fazer e não pode (nem lhe compete!...) assegurar a cobertura da Freguesia em equipamentos sociais de base que possam dar lucro. Nós não queremos nesta freguesia um Sines das tascas! (aplausos). A entrada para a CEE não vai apanhar esta freguesia desprevenida perante a previsível invasão de bistrots, pubs e brauerei.» (aplausos e brindes com ginja)
É bom saber que os responsáveis estão em cima da situação, e não podemos esquecer o que os anos de juntas de freguesia vermelhas (ah! «encarnadas»...) fizeram ao sector das tascas…
 
Pastelinhos de bacalhau
Onde é que o Lopes, sempre o perfeito «gentleman»» no seu fato-macaco azul de Rua Nova do Carvalho Street, encontra o bacalhau para os pastelinhos? Um passarinho diz-me ao ouvido que alguém para o lado da Rua do Arsenal está na jogada... Diz-se também que o «charme» de Zézinha «Gorda» Lopes, quando não está touchée do bagaço, conta para alguma coisa coisa!
 
Conforto
A saída escondida atrás da pipa grande para o caso da esquadra dos Terramotos virem importunar «after midnight» entre íntimos da casa, é um adorável toque de cuidado com os clientes por parte do Lopes. São estas coisas que fazem o nome de uma casa…
 
Vimos
Locas da Mercearia, de pull-over novo, «ravissante».
 
Garrafeira
Excelente. Provámos uma Sagres-preta, chambré, divina. Mas atenção às imperiais — não estão à altura, ainda.
 
Balde
À porta da Gracindinha, o balde aparece todos os dias entornado. «COLUNA INDISCRETA», viu e sabe porquê. Não é: «Joãozinho da Carris»?
O bom entendedor... Por enquanto, só eles perceberão.
 
Até à próxima, estimados, na inauguração da Casa de Prego & Comercial do Casal Ventoso, que tardou mas vai ser de arromba.
«COLUNA INDISCRETA» vê tudo, conta tudo, lá estará.