Aquele barco que está à frente da
Ribeira das Naus, de barco, parece que é para ficar.
Vai gastar-se um dinheirão para
continuar a tentar safá-lo, a tal ponto que quando se conseguir (se se
conseguir), já nem compensa.
Bem mais interessante seria
dar-lhe um fim útil, assim, a partir da situação concreta em que está.
Pôr-lhe um restaurante típico e
panorâmico, em cima? É pouco seguro, apesar de que a CML certamente gostaria,
porque isso de instalar restaurantes é muito com ela. Uma plataforma de
prospecção de petróleo? Talvez; porque não? Quem é que garante que ali não há
petróleo — o que até tinha muita graça se acontecesse?
Eu proponho outra coisa. Proponho
que se faça dali um submarino atómico, soldando-lhe uma peça de chapa e uns
tubos, como indico no boneco.
Ora bem, sei perfeitamente que há
umas coisas a esclarecer. Vamos lá por partes, então, rebatendo um a um os
argumentos que estou mesmo a ver que irão ser postos:
a) Não é submarino, nem é atómico. Olha a novidade. Todos sabem que
era um navio porta-contentores, afundado, de barriga para o ar. Mas argumentar
assim é não perceber a verdadeira beleza da questão. Repare-se: toda a gente
sabe de antemão que não é um submarino atómico, mas basta a convicção em afirmar
que é, aliada à inatacável lógica de que se fosse um submarino atómico era «o
mesmo»; «sendo-o, sê-lo-ia sem dúvida» e portanto nada obsta a que «use o
pudesse ser, certamente seria!» Com muito menos do que isto se constroem por aí
todos os dias realidades politicas e militares muito menos saudáveis.
b) Não navega, e como arma é nulo. Ora isso mesmo é que é simplesmente
admirável. Que maravilhoso símbolo para um País, que, sem abdicar do direito a
possuir como os outros as armas mais horríveis, o faz apenas simbolicamente,
dando ao Mundo o duplo exemplo de pacifismo militante e de concreta abstenção
de aumento das despesas militares que arruínam as nações, ao mesmo tempo que
demonstra o melhor senso ecológico antinuclear e pratica a reciclagem industrial!
c) Está em mau sítio. Não está. Está ali mesmo ao pé do Terreiro do
Paço, no centro simbólico do Poder Executivo, como silencioso guardião da
liberdade e da soberania, discreto e firme — não se poderia ter escolhido
melhor, depois do fiasco da Fragata D. Fernando (que, para quem não saiba, era
Navio Almirante da Esquadra Portuguesa, ora toma lá! e este pelo menos é
incombustível. Convém aos grandes símbolos nacionais ser incombustíveis, senão,
é o que se tem visto...)
Se o Ministério da Marinha
quiser, eu faço o desenho do acrescento de chapa (torre e periscópio) que
copiei dum destes que vêm nas caixas para os miúdos colarem, de plástico
moldado.
Podia-se mandar fabricar na
Lisnave, aproveitando restos de chapa usada de petroleiro. Pintava-se de
cinzento, com grandes letras brancas: UX-235.

