Integrado nas «Jornadas de Magia 1980» promovidas pela Câmara Municipal de Lisboa, realizou-se no Teatro Municipal de S. Luís o «Show de Ilusionismo» (dos jornais de 20 Outubro 1980).
«Meus Senhores, Minhas Senhoras, prezados colegas Mágicos e Ilusionistas! É com o maior júbilo que aceitei o convite para participar nesta grande reunião, apresentando alguns dos números de magia que executo neste momento em Lisboa, esta Lisboa que, como sabeis, é hoje a capital do ilusionismo mais avançado.
Começarei por apresentar um pequeno número de Transformação.
Vêm V. Exas sobre aquela colina, um Castelo. Olhem fixamente para o Castelo. É um Castelo antigo, verdadeiro e ilustre. Minha Senhora, queira examinar o Castelo. Esta Senhora da assistência pode confirmar que se trata de um Castelo verdadeiro, mourisco. Vejam bem, vejam todos, aqui não há truque! Cubro-o agora com um pano às riscas cor de laranja e azul (este pormenor é importante...), uns passes de magia e HOP!
Cá está!
UM RESTAURANTE DE LUXO COM VENDA DE QUEIJOS FOLCLORICOS!
Muito obrigado! Muito obrigado!
Vou agora mostrar um número de muito efeito, para o qual peço a Vossa atenção. Exige muita concentração porque é um número que se baseia na sugestão. Vêem V. Exas esta Cidade sempre suja, cheia de inscrições nas paredes, cartazes velhos da política e tudo isso? Pois vou fazê-la aparecer limpa em apenas um mês! Atenção! Um, dois, três e JÁ ESTA! Limpinha, como nova! (é claro que é tudo sugestão: os colegas sabem perfeitamente como isto se faz... Mas é certo que dispor de uma imprensa favorável ajuda muito à sugestão!)
Muito obrigado! Muito obrigado!
O número com que encerro a minha actuação de hoje é o mais difícil e espectacular. Um pouco de música ajuda — Guedes, ao piano, por favor! Música suave, sonhadora... Ora vêm V. Exas estes bairros degradados, cheios de barracas! Vou executar um número de alta magia que já apresentei em Milão com o maior êxito; fui mesmo chamado genial (modéstia aparte. eh! eh! eh! Lá isso, modesto sou eu.) Este número é um bocado perigoso e não recomendo aos meus ilustre colegas que o tentem sem dispor de uma maioria absoluta e obediente, que não faça perguntas. A maior atenção! Peço agora a uma gentil menina da assistência que me queira dar a sua ajuda — ah! muito simpática! Conservadora, claro! Já vota? Bem, não importa... Vai agora escrever neste quadro um número, ao acaso, maior que 25, sem que a assistência veja. Deve-se sempre fazer tudo de modo a que a assistência não veja; é como eu faço sempre... Esse número cabalístico é um índice de ocupação. Agora, à terceira conferência de Imprensa que vou dar, volta-se o quadro e HOP!
CÁ ESTA! OS BAIRROS DEIXARAM DE EXISTIR E ESTÃO CHEIOS DE DENSOS ARRANHA-CÉUS CHEIOS DE GENTE FELIZ A VOTAR AD!
Isto, Senhor Embaixador, nem na ÁUSTRIA!...
Muito obrigado! Muito obrigado!
Muito obrigado pelos Vossos aplausos.
Muito obrigado!

