Da entrevista de Samuel Fuller, realizador do filme «O Sargento da
Força Um», ao jornal «SETE» (29/4/81 — pág. 8):
... «Vou propor ao meu agente fazer um filme sobre Vasco da Gama»... «Gostava
que Robert de Niro fizesse o papel principal»...
… «Há muito tempo que não se faz um bom filme de aventuras. Faz falta
um ainda melhor que o «Capitão Blood»... «Gosto muito dos piratas portugueses».
1ª Cena — Num bar sórdido da velha Lisboa nas Caraíbas, um piano
(gótico) toca «blues». Ambiente de fumo. Vasco da Gama (Robert de Niro) entra,
dando um pontapé nas meias portas (góticas) e acariciando a coronha de um
«falconete». Abre a capa, e vê-se-lhe bordada a toda a largura do peito a «Cruz
de Cristo», temível símbolo dos corajosos piratas portugueses. Dois vultos
orientais entreabrem uma cortina, e murmuram: «Damn! It's him!». Rangem os
dentes. Conspiram torpemente.
2ª Cena — A princesa veneziana Lana (Raquel Welch) está sequestrada
no palácio do sultão chinês Orioff. Suspira. Escravas entretêm-na dançando a
dança do ventre e dos sete véus (música de Borodine, arranjo à moda de Glenn
Miller). De súbito, irrompe o sultão Orloff (Yul Brinner) e o cómico
eunuco-chete do serralho (Peter Ustinov), gritando: «Os portugueses! They are coming!»
(em inglês mas com sotaque oriental).
3ª Cena — Vasco da Gama, acompanhado dos seus fiéis amigos, o bravo
Bartolomé Diaz (Jack Lemmon) e o escravo mestiço Camoens, zarolho e poeta
pícaro, sempre de louros à cabeça (Woody Allen), ao assalto do palácio
(filmagens em S. Julião da Barra). Vasco da Gama entra por uma janela, em
contra-luz. Surge o sultão, de cimitarra em punho. Ri sardonicamente. Esgrimem.
O sultão cai atrás de uma mesa mas cínico, carrega num botão escondido e um
feixe de raios laser forma uma jaula que aprisiona Vasco da Gama. Porém o fiel
Camoens aparece à porta da sala, faz um verso repentino «So what? Someone must
get caught!» Lança-se aos raios laser interrompendo o circuito. Morre
introspectando-se comicamente. Partem-se- lhe os óculos. Salva-se Vasco da
Gama.
4ª Cena — Vasco da Gama foge a cavalo, levando a princesa Lana,
perseguido por infiéis armados de foices e martelos sanguinários (colaboração
figurante da cavalaria da GNR, filmagens em Avis e Arraiolos). Mas surge o
valente Bartolomé Diaz à cabeça de um punhado de piratas portugueses. Cenas de
sangue e violência (molho de tomate Compal — co-produção luso-americana).
Ganham os portugueses. Duelo final entre Orloff e Vasco da Gama. O vilão morre
e Vasco da Gama, recortado contra o céu, exclama: «Mais uma vez o Caminho
Marítimo para a Índia foi salvo para a Liberdade e para o Ocidente!»...
Cena final — Na Nazaré, Vasco da Gama, à vontade em camisa aos
quadrados e Lana (Raquel Welch em biquíni e véus), amam-se e olham para o mar,
onde desfilam os navios do pirata. As alegres tripulações cantam antigas
músicas guerreiras portuguesas (pelos «Beach Boys» e «Motown»).

